terça-feira, 12 de maio de 2009

Profissão Mãe e o tempo...

Ganhei no meu dia das mães de estréia o livro “Confissões de Mãe” da Maria Mariana. O livro dela “Confissões de adolescente” (confesso que não li) vendeu cerca de 200 mil exemplares. Pois eu espero que o livro atual venda 160 bilhões. Se todos os seres humanos lerem o livro vai ser um bom caminho para um mundo melhor.

O tempo é o “bem” mais democrático que existe – é igual para todos. O mendigo e o milionário usufruem do mesmo tempo. A diferença está na forma que o aproveitamos.

O espanhol José Luis Trechera em seu livro “A Sabedoria da Tartaruga” diz que a criação do relógio mecânico (inventado na época da Revolução Industrial) teve um efeito muito mais escravizador do que a chibata. A natureza deixou de determinar as horas de trabalho, descanso, alimentação. Quando o relógio foi criado não interessava mais se era dia ou noite, se fazia muito frio ou calor. A jornada de trabalho passou a ser definida pelo relógio, que no início só tinha o ponteiro que media as horas. Depois passou a medir os minutos, segundos e hoje mede os milésimos de segundo.

Quando alguém fala que a vida está uma correria, que não tem tempo para nada você associa a algo positivo ou negativo? E se uma pessoa te diz que decidiu ser exclusivamente mãe por 10 anos? Ou que tem tempo de sobra para descansar e para lazer, como você avalia isso? Infelizmente a pressa e a aceleração são “estados de espírito” valorizados.

Na Idade Média, trabalho era coisa para “peão” – no caso, para lavrador. A nobreza e o clero conviviam muito bem com o ócio, obrigada. Mas hoje... Um desempregado é um pobre coitado. O trabalho é algo tão valorizado que nos identifica. O que aparece nos créditos dos telejornais? Fulana de tal – professora, dentista, atriz. E se por ventura a fulana de tal diz que não trabalha provavelmente os jornalistas vão colocar nos créditos: dona de casa.

Ser dona de casa e mãe, exclusivamente, já foi uma atividade valorizada. Tenho certeza que para muitos sessentões de hoje se casar com uma mulher dedicada aos filhos e a casa era um grande negócio! Falando nisso: já refletiram sobre a origem da palavra negócio? Neg+Ócio. Isso mesmo: negócio é a negação do ócio. Aquele mesmo ócio que a nobreza e o clero prezavam bastante foi negado, execrado. Hoje em dia até o ócio tem que ser produtivo, criativo.

Teoricamente a tecnologia se aprimora para trabalharmos mais rápido e para que possamos ter mais tempo para nossos filhos, amigos, família, dormir, ler... Certo? Parece que infelizmente não é bem isso que acontece...

Pois Maria Mariana é defensora da profissão mãe e sou sua seguidora ! Ela nos revela que junto com o recém nascido nasce também a recém mãe. Caso se permita, esta nova mãe, pode sentir na pele, nos ossos, na mente e na alma a presença de Deus de forma clara.

Será que se o mundo fosse matriarcal haveria guerras? Difícil imaginar mães incentivando seus filhos a lutar.O universo da mãe é de doação, conciliação.

No livro “Criando Bebês Felizes” do inglês Steve Biddulph se verifica que os jovens nascidos a partir de 1980 são menos seguros, mais angustiados. Foi justamente em 1980 que quadruplicou o número de creches e berçários na Inglaterra. Por mais carinhosas que as profissionais dos berçários sejam, a proporção é injusta. Em casa, 2 para 1. Na creche, 1 para 5. Ou seja, enquanto em casa o filho tem o amor e cuidados dos pais, na creche, geralmente são 5 bebês para 1 profissional. O autor defende que os pais só coloquem os filhos na pré-escola a partir de 3 anos.

Desta forma não defendo abertura de mais creches. Pelo resgate do amor entre os seres do planeta – humanos e não humanos - farei campanha por uma licença maternidade e paternidade digna, por salários justos e carga horária de trabalho reduzida!

5 comentários:

  1. Mari, Coisa mais fofa seu blog.
    Quero visitar o JP!
    Saudades,
    Beijos,
    AJ

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  2. É Mari... ainda bem que a gente não precisa que ninguém valorize isso, o "premio" já está nos nossos braços...Muita paz e amor pra você, Bela

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  3. Mari, sempre adorei a Maria Mariana! Era fã de Confissões de Adolescente... Li o livro, vi a peça, assisti a toda série.
    E vc... eu amo, né?
    hehe
    Adorei o texto, adorei a idéia do blog! Tá lindo, amiga. Vc esccreve hiper bem! Parabéns!!!

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  4. Esse texto e a sintese perfeita dos meus questionamentos mais intimos depois que virei mae.
    Confeso que apesar de concordar com tudo ainda nao tive a coragem de parar de trabalhar por um tempo, mesmo sendo o meu desejo mais profundo. Ha pouco uma amiga que ocupava um alto cargo de gerencia em uma grande empresa simplesmente jogou tudo para o ar para ser mae... Virei sua fa. Ainda chego la!

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  5. Mariana, tive a sorte de viver um período da minha vida, pós nascimento da minha filha Maíra, há 24 anos atrás, no qual pude ficar com ela, exclusivamente, até os 11 meses. Acho que foi uma experiência viceral para a relação bacana que conseguimos construir ao longo do tempo. Acho que essa é a grande batalha, uma licença maternidade digna, sem ameaça de desemprego, pois conhecedora da importãncia da construção deste vinculo inicial para o resto da vida. Não concordo com a idéia de não abrir mais creches, mas com cuidar para que as creches possam acolher as famílias respeitando a história de vida de cada bebê, marcada inclusive em seu corpo. Quanto a volta ao trabalho, penso que é um desejo de muitas mulheres, desde de que pudessem levar um 'toque feminino' para o mercado de trabalho: o cuidado e o respeito por todas as relações, incluindo ai, a família.
    Bom, acho q não entendo nada de blog e escrevo testamentos, mas ai vai.
    Com carinho da amiga.
    Isabel Bogéa

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